Posse do novo presidente da AEB

Retornando da cerimônia de posse do Dr. José Raimundo Coelho na Presidência da Agência Espacial Brasileira (AEB), só consigo ter um pensamento: Que a gestão do amigo Zé Raimundo seja muito iluminada. Que o MCT&I coloque um holofote focado na AEB e que muita luz transborde para o INPE.

PS: para melhor entender o blog , confira a íntegra do discurso de posse do Dr. José Raimundo Coelho, como presidente da AEB.

 ”Senhores e senhoras,

Por aqui passaram ilustres, comprometidos, e ilustres comprometidos. Há que se ter espaço e tempo para modestos abnegados.  Para o primeiro grupo, os desafios foram “tirados de letra”. Para nós, pelo contrário, utilizando a nossa dialética, isto é, o dialeto nordestino, teremos que exaurir todo o abecedário da língua portuguesa. Pois bem, cerca de um ano atrás, Marco Antonio Raupp assumiu a gestão da Agência Espacial Brasileira.

Audácia – Impulso de alma, que leva a cometer ações extraordinárias, aquela coragem de tomar decisões e pôr em prática iniciativas que respondem efetivamente aos desafios foi tônica de seu curto período de gestão.

Com apoio do Governo, articulou proposta consistente, mais abrangente e coordenou o desenho de um Sistema Integrado de Gestão para o Programa e as Atividades Espaciais Brasileiras. Iniciativas já comprometidas foram encaminhadas; alternativas outras, analisadas; elementos novos,  incorporados, e a parceria público-privada, valorizada.

A proposta para o Sistema de Governança foi desenvolvida para permitir a máxima integração possível, sem nenhum prejuízo, às instituições existentes, estabelecendo, entretanto, as relações de pertinência e o papel de liderança que esta Agência deve exercer, motivo para o qual fora originalmente concebida.

Um sistema é estável quando consegue articular diretrizes e instituições sólidas em torno de objetivos comuns, bem definidos. Pôr em prática e consolidar essas ideias será o nosso primeiro desafio.

Esta tarefa, que haveremos de desenvolver, em seguida exigirá, além de audácia, outras virtudes. A prudência, por exemplo, dispondo a razão para o discernimento em todas as circunstâncias, como um elemento capaz de mobilizar e congregar o coletivo. Como todas as virtudes, tanto a audácia quanto a prudência estão sujeitas a excessos. A insensatez, no caso da audácia; o imobilismo, no caso da prudência. Portanto, vamos também ter que desenvolver o exercício da temperança – uma das quatro virtudes cardinais, aquela que assegura o domínio da vontade, sobre os instintos e os desejos e proporciona o equilíbrio.

Além deste, há muitos outros desafios. A nossa agenda de lançamentos – lato sensu – é apertada e desafiadora. A nossa musculatura tem que ser fortalecida e não há alternativas que não estejam relacionadas à comunhão e união dos esforços de todos.

As decisões sobre prioridades devem, entretanto, ser encaminhadas de forma deliberada e consistente. Algoritmos especiais, alternativos, inteligentes têm que ser construídos, como estratégia, para o enfrentamento da complexidade, inerente ao estabelecimento dessas prioridades. O sucesso de etapas tem sido e, creio, continua e continuará sendo, um elemento chave na construção dessa estratégia.

Temos que considerar por um lado as responsabilidades que nos foram atribuídas: a nós, como cidadãos; às nossas instituições, como parte do arcabouço institucional do Sistema a que pertencemos. E por outro lado, temos que considerar também a satisfação que devemos à sociedade, a nossa cliente soberana, a quem todos devemos reportar. A articulação equilibrada, entre esses dois conjuntos de requisitos, poderá nos indicar o caminho certo.

Do ponto de vista interno da Agência, nos é transferida, de todos os nossos antecessores, a árdua tarefa de constituição de um quadro de recursos humanos próprio e permanente, comprometido com uma instituição sólida, comandada por objetivos pertinentes e bem definidos. Preocupação semelhante a esta estende-se, também, a todos os outros elementos de nosso sistema.

Se formos capazes de vencer mais este grande desafio, então poderemos exigir que os nossos colaboradores tornem-se servos das tarefas a serem executadas pela organização, transformando-nos, todos, em cúmplices de nossas próprias ações. Vincular a nossa crença ao que podemos ver e tocar será, entretanto, muito pouco.

A instituição tem que ser capaz de prever tempestades, de transpô-las e, por fim, de navegar à frente delas. Conhecemos os desafios que vamos enfrentar. Alguns marcados por eventuais conflitos de ideias, construídos pela diversidade circunstancial de um momento estratégico de inflexão por que passamos. E outros, pela presença de algumas posturas resistentes, imunes ao descarte consciente – elemento fundamental para o processo consistente da Inovação.

A composição dos conflitos, entretanto, é benéfica. Ela impede que a verdade constitua um só plano. As propostas, dentro de sua estrutura lógica e racional, devem desencadear um processo de profunda reflexão, solapando a forte tendência do propósito invariante, definidor de uma visão unívoca do pensamento.

O processo deve ser constituído com as causas, com os efeitos, com as circunstâncias, com as conveniências que hão de seguir e com as inconveniências que hão de ser evitadas. Vamos nos valer da teoria para fornecer as fórmulas abstratas; da observação sistemática; da experiência e da labuta incessante para a atribuição dos valores concretos aos seus coeficientes.

Temos que nos preparar para estabelecer, por meio do diálogo, uma prática que seja condizente com a nossa crença, tentando sempre minimizar as perdas do processo de destruição e maximizar os ganhos do processo de criação. Para isso, devemos acreditar que as razões próprias, aquelas que convencem os homens, elas nascem mesmo é do entendimento.

Assim acreditamos. Assim faremos. Este é o nosso propósito. Esta será a nossa tarefa. A agência que queremos não precisa ser perfeita, basta ser melhor, cada vez mais, melhor.

E agora, permitam-me, uma reverência àquele que me inspirou, ao registro deste texto – Pe. Antônio Vieira.

A Metáfora do Espelho – Sermão da Sexagésima

Para um homem se ver a si mesmo são necessárias três coisas: espelho, olhos e luz. Se tem espelho e é cego, não pode ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos, e é de noite, não pode ver por falta de luz. Logo, há mister de espelho, há mister de olhos e há mister de luz.

Para que possamos nos ver a nós mesmos e possamos pôr em prática as nossas convicções, proponho que a Agência concorra com o espelho, que é a lógica, a razão; que os institutos concorram com os olhos, que são o conhecimento, e que o senhor ministro concorra com a luz, que é o orçamento.

Muito Obrigado.”

(Informações da AEB)

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