Programa Espacial Brasileiro

O início do Programa Espacial Brasileiro não é bem definido. Podemos considerar a data de criação do INPE, em agosto de 1961? A Agência Espacial Brasileira (AEB) é bem mais nova, de 1994. Com certeza o início do programa espacial é anterior à criação da AEB.

Nos anos 1970 teve início a Missão Espacial Completa Brasileira (MECB) que previa não apenas a construção de satélites, mas também a construção do centro de lançamento e a construção do veículo lançador de satélites (VLS). Os principais resultados da MECB são o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), os satélites de coleta de dados (SCD) e os foguetes Sonda I a IV. Nessa época, havia uma clara divisão entre instituições civis (satélites e suas aplicações) e militares (centro de lançamento e foguetes), dificultando a integração das partes. Ainda hoje as atribuições estão divididas entre o Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Ministério da Defesa.

Na década seguinte teve início a aproximação entre o Brasil e a China, culminando com a assinatura, em 1988, de um programa de cooperação na área espacial, cujo principal resultado é a série de satélites CBERS (China Brasil Earth Resources Satellite). Naquela época, ambos os países apresentavam o mesmo nível de desenvolvimento na área espacial. Atualmente, a China tomou uma dianteira significativa e não vislumbramos quanto tempo levará para o Brasil chegar ao nível que a China está hoje. Em 2011, por exemplo, a China foi o país que mais lançou satélites (19), superando até os Estados Unidos (18).

Mas existem resultados positivos. Por exemplo, a empresa Opto Eletrônica vem avançando no segmento das câmeras óticas (visível e infravermelho), sendo responsável pelo desenvolvimento das câmeras MUX e WFI doCBERS-3 e da câmera AWFI do Amazonia-1.

O satélite Amazonia-1 em si é um exemplo de avanço da engenharia espacial, pois é o primeiro satélite de Sensoriamento Remoto genuinamente brasileiro.

Na área de aplicação, o Brasil, com destaque para o INPE, está bem situado frente aos países mais desenvolvidos em Sensoriamento Remoto.

A área de software apresenta bons resultados no segmento de estações terrenas, mas ainda há lacunas a serem superadas no segmento de software embarcado.

Hoje vivemos um momento de reflexão, mudanças e planejamento para o futuro. Segundo o Dr. Thyrso Villela, diretor da área de satélites, aplicações e desenvolvimento da AEB, em entrevista para o site de Veja (http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/perto-de-completar-18-anos-agencia-espacial-brasileira-tenta-novo-recomeco), o futuro próximo é promissor. Nos próximos 2 anos o orçamento da AEB deve triplicar, passando dos atuais 300 milhões de reais para 900 milhões de reais por ano.

Segundo o Dr Thyrso, “o que ganhamos com informação de meteorologia, por exemplo, chega a ser o equivalente ao que gastamos com nosso programa espacial anualmente, cerca de 300 milhões de reais”. Isso demonstra a viabilidade e a importância desse programa. O que o país ganha com informação no agronegócio pode equilibrar o aumento previsto para o orçamento da AEB.

Mas ele não quer que o Brasil se atenha a ser o celeiro do mundo, vendendo commodities agrícolas. Segundo o Dr. Thyrso, “o mercado de serviços de satélites é da ordem 200 bilhões de dólares por ano. Não estamos querendo entrar nesse campo pela aventura tecnológica. Queremos tudo que vem junto: empresas brasileiras de altíssima tecnologia, cursos universitários de ponta, institutos especializados. É algo que se espalha pela economia e melhora a qualidade dos empregos.” Se o Brasil conseguir 1% desse mercado, o orçamento da AEB pode ir muito além dos 900 milhões previstos para 2013. Mas além das cifras, vale destaque o apoio para o Brasil ter empresas brasileiras de altíssima tecnologia. Ele considera que o parque industrial brasileiro é pequeno, mas existe, e que uma das missões da agência é fomentar o desenvolvimento desse parque.

Hoje, com o parque pequeno, já existe carência de mão de obra especializada. O fomento aos cursos universitários de ponta, às áreas de especialização relacionadas com os ciclos de construção de satélites e geração de imagens e o incremento do investimento em PD&I e em ciências básica e aplicada são instrumentos que ajudarão a reduzir essa carência. A China apresenta cada vez mais um contigente de técnicos jovens, com renovação e aprimoramento de sua mão de obra especializada. Enquanto isso, o Brasil tem um quadro técnico ameaçado pelo proximidade da aposentadoria.

Por fim, pedimos que a AEB olhe com carinho para o Fundo Setorial Espacial da FINEP. Que ele finalmente passe a existir de fato, sendo mais um agente de fomento ao desenvolvimento do parque da indústria espacial. Com o apoio da FINEP será mais fácil superar desafios tecnológicos como, por exemplo, os sistemas de navegação inercial.

Comments

Post a comment

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Email Us

Your message was successfully sent. Thank You!